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Uma caipira perdida em Leipzig



Cheguei faz alguns dias em Leipzig com meu marido. Não sei falar alemão, apesar de descender de germânicos do sul do Brasil. Nesse exato momento, embora esteja agasalhada feito um urso e somente meus olhos estejam de fora, sinto frio. Ontem me esqueci de colocar as luvas para caminhar até o curso de alemão, e minhas mãos sangraram quando dobrei os dedos duros. Sinto frio até no cabelo quando estou na rua. Se alguém pisar no meu pé enquanto caminho, acho que ele pode se desprender da minha perna para sempre. Quebrar-se. Romper-se de mim. Ele também está congelado e latejante. Por mais que leve cinco quilos de roupa no couro, temo que sejam roupas inadequadas.  

Leipzig: é a maior cidade da Saxónia, localizada no leste do país. É parte do triângulo saxão, que também inclui Halle e Dresden. Muitas personalidades ilustres, compositores e filósofos, tais como Nietzsche, Richard Wagner, Sebastian Bach, Goethe e etc., nasceram, estudaram ou viveram aqui.  


Há gente de todas as cores e religiões na cidade (talvez eu encontre a minha, ou mais provável: que me afaste ainda mais dela); todo tipo de idioma, estilo e cabelos. Orientações sexuais condenadas pelo padre também andam libertas por aqui, de mãos dadas e beijinhos, desatento ao dinossauro preconceituoso que tenha a audácia de recriminá-lo. Há todo tipo de idioma solto nas ruas, do imigrante ao turista (dá até para escutar alemão de vez em quando)! Há mendigos também, acreditem! Há gente bem alternativa, cult, eclética, rebelde, artista, perambulando pelas ruas de Leipzig. Há jovens que soltam fogo pela boca enquanto você janta em um restaurante qualquer. Há gente que mendiga cigarro (também, pudera: Um maço custa ao redor dos 6 euros) e até dinheiro pra tomar pinga na maior sinceridade eles esperam ganhar! Sim, esperam! Pois em geral, mendigo aqui não mendiga, ele fica lá paradão batendo um papo com quem se preze, esperando que as pessoas cheguem até ele e contribuam espontaneamente com algo. Há jovens (bem jovens) com roupas furadas, cabelos coloridos e vodca nas mãos. A latinha para os transeuntes “doarem” moedas fica ao lado deles, honestamente: Eles querem beber! Ora bolas, e porque não? Eu também gosto de tomar uns pileques, por isso contribuo! No Brasil, pé de cana morre jurando que o dinheiro "arrecadado" é para comprar leite para os filhos, e não para pinga. Aqui a sinceridade mendiga é inspiradora! Outro dia vi na praça três jovens sentados no chão com diferentes latas na frente deles e placas para cada uma delas: Uma lata era para saúde, outra para a aposentadoria, outra para a alimentação, para o lazer e para o uísque. Pela originalidade honesta ganharam uma moeda de dois euros meus (que meti na lata do uísque, pois não creio que esse povo chegue a idade de se aposentar).
Há barrigões grandes (deve ser do Chopp alemão) e barriguinhas pequenas (mas isso temos em todos os lugares), trânsito educado, ciclovias, carros e bicicletas para alugar em qualquer esquina, piscinas públicas, parques com ponto de encontro para cachorros, florestas com esquilos e corvos em todos os bairros, transportes públicos confortáveis e pontuais, bondinhos e metrôs sem cobradores. Claro que você como um brasileiro já deve estar pensando que se não há cobradores, não há motivos para comprar passagens, não? É, eu também pensei assim, mas cogitando a fatalidade de ser descoberto em um dia de inspeção surpresa, a vergonha de ser colocado para fora do transporte, levar multa, ter seu nome apurado enquanto olhares observadores o recriminam, acovardaram-me sempre. Espero que o acovardem também.

Falando em alemão e Alemanha... Acredito que alemães não tenham vigilância sanitária (ou pelo menos ela não é muito rigorosa), embora comam muito bem, obrigada! Nas barraquinhas onde fazem sanduíches, ou mesmo na padaria, o atendente pega o pão que você vai comer com a mesma mão que pega no dinheiro, limpa o balcão e cutuca o nariz. Às vezes eles usam luva, mas eu me pergunto “Gzuis Cristo, para que?” já que tudo que eles deveriam fazer sem luva, eles fazem com ela. A luva não passa de acessório de porquice, pois nela é onde se concentra toda a sujeira do mundo. O primeiro hot-dog que comprei aqui foi me entregue pelas mãos (sem luvas) de uma senhora, com seus dedos e unhas marrons! Primeiro ela pegou as moedas, e depois me entregou o hot, sem vergonha alguma por suas unhas de dragão. Só comi porque ainda sou uma mulher de coragem (nada que o Albendazol não resolva). Será que toda essa questão de higiene é uma frescura tupiniquim e os germes fortalecem a imunidade? Acho que mais um mês na Alemanha e serei o He-Man! Pior que os alemães por estarem acostumados a terem sua comida tocada por atendentes, nem sabem ou desconfiam que isso não é legal (no ponto de visto sanitário). Meu marido (já disse que é alemão?) só se deu conta de que algo em relação à comida e o dinheiro manuseados por atendentes estava errado quando eu o cutuquei e expliquei os porquês da questão. Hoje em dia ele acha tão absurdo e asqueroso quanto eu tudo isso. Há brasileiros que estão na Alemanha faz muitos anos e consideram um ultraje quando outros brasileiros espantam-se e enojam-se com as questões da falta de luva (e o uso incorreto delas), e insistentes tocam na mesma tecla do assunto uma e outra vez, mas... Eu jamais deixaria de mencionar esse importante aspecto anti-higiênico (não somente do alemão, mas de muitos outros países europeus) em um livro que trata justamente de fatos que chamam a atenção do brasileiro. 
Tá bom! Aí o europeu que já foi ao Brasil vai dizer que o cestinho de papel higiênico usado ao lado da privada é a coisa mais escrota e nojenta do mundo, já que aqui o papel higiênico após ser usado é jogado de volta ao bacio e expelido junto com a descarga. Eu não vou dizer que é maravilhoso viver com esse cestinho e também não vou negar que é nojento, mas... Se agíssemos como americanos ou europeus jogando os papeis higiênicos pela privada, entupiríamos a pinoia toda. Em geral, no Brasil não há apropriada coleta de esgoto local, qualidade do encanamento e boa vazão de água na descarga para tanto. Então, não é opcional, mas lamentavelmente temos que viver com resquícios de urina e fezes, nossas e dos outros, ao nosso lado ao executar necessidades fisiológicas. Por tanto e para concluir esse assunto de merda: Usar o cesto de lixo ao lado da privada é meio que obrigatório. Não usar luvas ou usá-las errado ao manusear alimentos, é opcional! Pode me xingar agora!

E agora, só para quem já viveu aqui matar um pouco de saudades, cito palavrinhas para atiçar a lembrança: Volkshochschule, Hauptbahnhof, Cine Star, Havanna Club, Spitz, a Zona Sul da cidade, a cerveja de trigo, as Feiras de Natal em dezembro... E os lugares da "massa": HM, DM, Müller, Rossmann, Aldi, Rewe, Douglas, Kaufhof, Karstadt, e por aí segue a lista!


Mas se particular e pessoalmente a higiene do alemão é questionável, o fato de aqui podermos tomar água potável e de alta qualidade direto da torneira dá um up na praticidade de se viver. A água alemã é conhecida por seu alto grau de alcalinidade, ou seja, ela é dura devido à elevada concentração de sais de cálcio e de magnésio, substâncias minerais benéficas para o organismo humano.  Economia, praticidade e segurança! Não precisamos ferver, comprar água em garrafas, ou nos preocupar com a qualidade da água que bebemos.  (Ela é fresca e limpinha, podem acreditar).
E a cerveja? Cevada, lúpulo e água são os ingredientes que compõem o "preceito alemão de pureza" –Deutsches Reinheitsgebot - Decreto imposto por duques da Baviera no século 16 que vigora até hoje em muitas das aprox. 1.300 cervejarias da Alemanha. Com teor alcoólico baixo, a cerveja era teoricamente a bebida mais "saudável" para a população, consumida inclusive por mulheres e crianças. Hoje é permitido em alguns estados adicionar açúcar no processo de fermentação da cerveja. Assim, o produto é reconhecido como cerveja, mas o atributo "Reinheitsgebot" lhe é proibido. Século XXI: A cerveja continua sendo um alimento/bebida nobre, e olha que uma garrafa (das melhores) não custe mais que centavos: saborosa, encorpada, embriagante, e... barata! 

Logo vem mais...
                                                                                    



Aufwiedersehen, Leute!

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Qualquer semelhança desse blog com a realidade, é pura cagada.

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